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DESCOBERTA VEIO DEPOIS DE ANALISAREM ENZIMA DE BACTÉRIA QUE DEGRADA PLÁSTICO

Plásticos encontrados na Ilha Grande – RJ
Foto Sandro Muniz

 

 

Muitas descobertas científicas importantes ocorreram por acidente, ao acaso, uma serendipiedade, ou sonhos. Como exemplos: o antibiótico penincilina,  teflon, a borracha. A partir de um sonho o cientista Friedrich August Kekulé desvendou a estrutura do benzeno e criou toda uma nova química orgânica. Até o descobrimento do continente americano, mas nem tanto, há registros em Portugal que diziam que eles já conheciam este lado do Atlântico antes de 1500, e isso fica para outra matéria.

Agora a nova descoberta acidental foi a mutação de uma enzima que tem a capacidade de quebrar o plástico, e mudar nossa relação com o ambiente.

Espera-se que com este avanço possamos diminuir o tamanho de nosso impacto no ambiente, nossa pegada ecológica é tão grande que criamos nossa própria Era. Houve a Era Jurássica, Paleoceno, e tantas outras, agora estamos na Antropoceno, e no futuro nossos tataratataratatarneto identificarão esta Era como a que tem plástico, excesso de plástico.

Teve a idade da Pedra, do Bronze e Ferro, e agora temos a do Plástico.

Em 2016 foi descoberta uma bactéria que evolui para comer plásticos em um depósito de lixo no Japão. Agora os cientistas revelam a estrutura da enzima que destrói o grande vilão.

garrafinha de água de plástico que polue o ambiente

Em laboratório os cientistas separaram a enzima e viram que a molécula foi ainda mais bem-sucedida para quebrar o plástico PET (polietileno tereftalato), usado em garrafas de refrigerante e água.

O plástico demora séculos para se decompor nos oceanos, mas apenas alguns dias na boca desta enzima, os cientistas ainda estão estudando como fazer uma produção em grande escala desta proteína quebradora de PETs.

O próximo passo da equipe de pesquisadores, lideradas pelo professor John McGeehan, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, é fazer a reciclagem total do plástico. A bactéria ou enzima decompõe o plástico, e este material resultante gera novos plásticos, sem necessidade de nova extração de petróleo.

A cada minuto 1 milhão de garrafas plásticas são vendidas no mundo, apenas 14 % são recicladas, além de demorarem uma eternidade para se decomporem (ou o ideal seria nunca se decompor??) podem parar na boca de um golfinho ou no seu prato via cadeia alimentar.

A estrutura da enzima era parecida com a de muitas bactérias que quebram a cutícula das plantas, seria a pele das plantas, esta serve como um polímero natural que protege os vegetais contra a perda de água, e ataques de inimigos. Mas ao manipular a enzimas para pesquisar sua estrutura os cientistas acidentalmente as melhoraram em sua capacidade de comer PET.

Esperamos agora que esta pesquisa gere frutos o quanto antes e que consigamos, desta forma, sair logo da Idade do Plástico, para a Idade da Razão ou da Inteligência.

 

Sandro Muniz

Biólogo

 

 

Fontes: http://science.sciencemag.org/content/351/6278/1196

 

https://www.theguardian.com/environment/2018/apr/16/scientists-accidentally-create-mutant-enzyme-that-eats-plastic-bottles

 

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