CONTROLE DE ÁRVORES EXÓTICAS E INVASORAS EM PARQUES

floresta-de-eucalipto

Considerada a segunda maior causa de perda da biodiversidade, a proliferação das espécies exóticas invasoras na Ilha de Santa Catarina começará a ser combatida no mesmo lugar onde foram plantadas nas décadas de 1960 e 1970, no Parque Florestal do Rio Vermelho. Ao longo dos anos, casuarinas, pinus e eucaliptos trazidos de forma experimental por Henrique Berenhauser para conter o avanço das dunas nas comunidades do Vermelho, Ingleses e Barra da Lagoa se transformaram em praga, ocuparam descampados deixados pelas antigas roças, manguezais e áreas de restinga, promovendo uma verdadeira invasão do espaço  das espécies nativas. Duas frentes trabalham para resolver o problema, uma delas vai atuar especificamente no parque do Rio Vermelho, enquanto a outra se debruçará por toda a extensão do município.

Em 2013 a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) começou o corte das exóticas no corredor verde sobre o costão do Morro das Pedras, em cumprimento à lei municipal 9.097/2012, mas o projeto ficou parado por dificuldades técnicas. Agora, o órgão está a um passo de uma comissão especial para promover o corte das exóticas em áreas públicas e privadas do município. “Temos como prioridade as Unidades de Conservação. Nas Dunas da Lagoa, por exemplo, tiramos por diversas vezes essas espécies, mas elas voltam”, conta Mauro Manoel da Costa, do Departamento das Unidades de Conservação da Floram. O trabalho passa pela conscientização da população sobre os danos trazidos pelas espécies, o corte e a reposição com espécies nativas. “É uma equipe bem ampla que vai contar com biólogos, educadores ambientais e agrônomos”, disse.

O combate deve começar pelo Rio Vermelho, que já tem cronograma de execução pronto e deve lançar em breve licitação para empresa que vai fazer a retirada da madeira. A empresa deverá pagar em torno de R$ 3 milhões pelo material que será retirado por via terrestre pelo Norte da Ilha. Segundo Márcio Alves, o diretor de Proteção dos Ecossistemas da Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente), o órgão poderá auxiliar também no corte ao entorno do Parque Estadual, “até porque sabemos que o parque é o grande proliferador das sementes”, disse. Dos 1.502 hectares do parque, cerca de 600 estão tomados pelas espécies invasoras.

Na quinta-feira, o assunto foi tema da audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Florianópolis, que reuniu autoridades estaduais, municipais, órgãos ambientais independentes e estudiosos. Consenso entre os presentes, a retirada das espécies, principalmente fora do Parque Estadual do Rio Vermelho, emperra na falta de infraestrutura e financiamento. Autor do projeto de lei que autoriza a supressão das três espécies exóticas para o plantio de exemplares nativos, o vereador Edinon Manoel da Rosa, o Dinho, diz que existe lentidão em se cumprir a lei. “A burocracia tem que ser eliminada da Floram. É a segunda vez que encaminho pedido para criação da comissão, imagina o cidadão que tem um pinus no seu terreno e solicita o corte, quanto tempo isso demora?”, questionou.

Segundo o diretor das Unidades de Conservação, Mauro Manoel da Costa, recentemente o município firmou contrato com uma empresa especializada no setor para arborização de praças e vias públicas. “Nossa proposta é conseguir que esse mesmo contrato contemple o corte das exóticas, pois com equipe reduzida que temos é muito difícil”, disse.

FONTE: http://m.ndonline.com.br/florianopolis/noticias/263713-corte-de-arvores-exoticas-comecara-pelo-parque-estadual-do-rio-vermelho.html

Related Post

Pocket