A IMPORTÂNCIA DOS MUSEUS CIENTÍFICOS NA EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA E NA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

Os museus científicos servem para vários propósitos, mas geralmente a sociedade só conhece o de exposição de espécimes antigas (exemplo: fósseis) ou atuais e chamativas.
Estes espaços servem muito para pesquisas científicas importantes.
Em dois estudos publicados recentemente foram utilizados espécimes coletadas há muitos anos atrás, e descobertas incríveis foram feitas.

AS AVES E A POLUIÇÃO DO AR

 

AVES E A POLUIÇÃO DO PLANETA

 Foto: CARL FULDNER AND SHANE DUBAY

 





1 – pesquisadores estadunidenses analisaram cerca de mil aves depositadas em museus dos EUA para a saber a concentração de carbono negro nas penas, já que é comum as partículas de fuligem grudarem nas penas. Chegaram a um pico na primeira década de 1900, resultado este mostra que a situação da poluição do ar na época estudada era pior do que se imagina.

“O estudo mostra que, durante a Grande Depressão nos Estados Unidos, o uso do carvão diminuiu. Ele voltou a se intensificar durante a Segunda Guerra Mundial, mas começou a ter nova queda logo depois, quando novos combustíveis, como gás, passaram a ser utilizados para o aquecimento de casas – e quando formas de carvão menos poluidoras passaram a ser queimadas. “ (http://www.bbc.com/portuguese/geral-41561324)

OS SAPOS, DOENÇAS E EXTINÇÕES.

sapos e os fungos

Extinto em Boraceia, Cycloramphus boraceiensis resiste em Ilhabela – foto Luis Felipe Toledo

2- Cientistas brasileiros analisarem 33 mil girinos de 10 museus nacionais. Após as análise conseguiram correlacionar a grande mortandade e extinção de anfíbios da década de 80 no Brasil com uma espécie famosa de fungo assassino. Os museus (e claro que com o trabalho dos incansáveis cientistas) guardaram por quase 40 anos as cenas e as armas do crime!
Acreditava-se que as espécies nativas de anfíbios, principalmente as da Mata Atlântica, não sofriam com o fungo Batrachochytrium dendrobatidis, ou quitrídio. Espécie de fungo que está dizimando populações inteiras ao redor do mundo, principalmente na América Central.
O estudo demonstra um possível culpado, mas não exclui as mudanças climáticas e o desmatamento como eventos sinérgicos para o declínio registrado no passado.

“O estudo analisou animais coletados entre 1930 e 2015, e nesse período detectou o fungo principalmente na Mata Atlântica: por volta de 17% dos girinos analisados nesse bioma estavam infectados, mas os casos se concentraram nas regiões Sudeste e Sul. Uma análise estatística que abarca tempo e espaço permitiu detectar a coincidência entre a presença do quitrídio e a maior parte dos eventos registrados de extinções ou declínios populacionais, em uma área de Mata Atlântica que vai do Rio de Janeiro ao Paraná e inclui Itatiaia, no Rio de Janeiro, e Boraceia, em São Paulo.” (http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/03/17/epidemiologia-retroativa/)

Da próxima vez que visitar um Museu, não ache que tudo ali esta morto, há muito mais vida entre a vitrine e você (e os cientistas) do que sua vã filosofia possa imaginar!

 

Sandro Muniz

 

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