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COMPORTAMENTO DE AUTOMEDICAÇÃO E LIMPEZA É IDENTIFICADO EM GRUPOS DE QUATIS

ASSIM COMO A TRANSMISSÃO DESTE CONHECIMENTO

figura 1. ver legenda ao fim do texto.

 

Se você acha que apenas humanos gostam de sentir aquele cheirinho de shampoo bom nos cabelos, ou o perfume do amaciante nas roupas, pode tirar esta ideia da cabeça e aceitar que não somos tão exclusivos assim. O hábito de se limpar com sabão, detergente, sabão em pó já foi identificado em macacos e já estudado pela ciência.

Mas a novidade da vez foi uma descoberta feita pela Prof. Dra. Patrícia F. Monticelli, da USP, ela encontrou o comportamento de automedicação em quatis, Nasua nasua. Os cientistas não só observaram que alguns grupos de quatis passam sabão pela cauda e nas partes sexuais, área úmidas e quentes onde normalmente pode ocorrer bactérias e fungos, e também observaram que este comportamento é passado de geração para geração. Ou seja, além de limpinhos são seres com cultura.

Foto: Halley Pacheco de Oliveira via Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0

Os produtos criados pelos humanos mais usados por algumas espécies de macacos   são produtos de limpeza, como sabão em pó, detergente e desinfetante, e supostamente servem como repelente, fungicida ou algum tipo de agente curativo (apud Alfaro et al., 2012; Bowler et al., 2015).

Estes foram exatamente os mesmos itens que os pesquisadores observaram os quatis de cauda anelada usando nas áreas de estudo, estes produtos de limpeza costumas sem abandonados por turistas na Ilha do Campeche, Florianópolis.

Os quatis quebraram a supremacia dos primatas (humanos e macacos).

Da próxima vez que ver a área de serviço bagunçada não bote a culpa nas crianças pode ter sido um quati em busca de “remédios” ou limpeza.

Ficamos no aguardo do dia em que os quatis ensinarão os amigos gambás estas novas artes.

 

Sandro Muniz

Biólogo

 

 

 

Para mais informações em anexo o link do artigo original.

 

 

Ring-tailed coatis anointing with soap: a new variation of self-medication culture?

Permalink https://escholarship.org/uc/item/1dq4s4p5

Journal International Journal of Comparative Psychology, 29(1)

ISSN 2168-3344

Authors Gasco, Aline D. C. Pérez-Acosta, Andrés M. Monticelli, Patrícia Ferreira

 

Figura 1. Nasua nasua na Ilha do Campeche (Estado de Santa Catarina, Brasil). A: auto-unção espontânea com sabão desengordurante por uma fêmea adulta (esquerda) e um juvenil (direita), após retirar a tampa das tigelas; B: um macho adulto agarrando o pedaço de sabão  (seta), produzindo espuma que seria então usada na unção; C: um fiador de sabão água cheia de espuma oferecida na sessão experimental; D: uma garrafa de detergente neutro (esquerda) e pedaços de sabão (centro); E: a área do metro quadrado usada para depositar itens durante as sessões experimentais. Fotos de ADCG

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