A FEBRE AMARELA ESTÁ DIZIMANDO POPULAÇÕES INTEIRAS DE ANIMAIS SILVESTRES

Bugio – o principal macaco vítima da febre amarela – Foto: Sandro Muniz

 

A FEBRE AMARELA ESTÁ DIZIMANDO POPULAÇÕES INTEIRAS DE ANIMAIS SILVESTRES.

 

A febre amarela está dizimando populações inteiras de macacos nas florestas, em especial as famílias de bugios, triste notícia que se junta à perda de hábitat, caça, destruição florestal, elementos sempre cruéis e presentes.

Os novos surtos de febre amarela, e também as ações humanas, totalmente alienadas, como envenenar macacos perto de áreas urbanas ( ver na foto do twitter de André Trigueiro esta atitude), devem ter o apoio de toda a população e órgãos governamentais para o seu controle, solução e diminuição deste impacto nos primatas. Desde 1999 o Ministério da Saúde propõe o acompanhamento das mortes de macacos como estratégia para identificar, prontamente, novos focos de surto de febre amarela. Os macacos são sentinelas.

Banana envenenada pela estupidez humana – foto twitter André Trigueiro

 

No Rio Grande do Sul para a população de bugios retomar metade do número de indivíduos que havia em 2008, antes do surto desta época, demorará 100 anos. Assim,

Já registramos aqui, em 2015: “ em estudo publicado dia 25 de novembro, do corrente ano, mostrou-se que mais da metade das espécies de primatas do mundo estão correndo risco de extinção.” (em “O único macaco”), a situação crítica dos primatas no mundo.

 

A febre amarela já dizimou uma grande quantidade de famílias de bugios no Parque Estadual da Cantareira, Horto Florestal e diversos outras unidades de conservação no Estado de São Paulo, ao ponto que foram fechadas à visitação 26 unidades.

No Estado do Rio de Janeiro o surto se iniciou depois de São Paulo, Minas e Espirito Santo (estima-se que no Espírito Santo já morreu 1,3 mil macacos, e em São Paulo o número é maior, 5 mil ) mas já dizimou toda a população de uma grande e importante unidade de conservação: Reserva Biológica do Tinguá, na baixada fluminense (foto 02- matéria do Jornal o globo). Como o RJ tem uma grande área florestal, e recinto de muitas espécies de macacos, o impacto poderá ser bem maior, espera-se que o vírus da febre não alcance outras áreas, com a população humana vacinada (o Estado vem fazendo campanhas maciças de vacinação, como o mutirão que aconteceu no dia 27/01/18) ocorrerá uma diminuição dos casos de contaminação em macacos.

 

Mortes notificadas de macacos em São Paulo

Imaginemos o impacto que a febre amarela teria no Parque Estadual da Ilha Grande, que tem no próprio símbolo o macaco Bugio, seria devastador para aquelas populações isoladas.

Os macacos Bugios (primatas do gênero Alouatta) são mais sensíveis que outros gêneros, o vírus também mata saguis e macacos-prego, mas em menor quantidade.

 

Os cientistas e equipes de campo devem pensar em todas as possibilidades para conter esta tragédia. Questões se põem na mesa: Como controlar os mosquitos do gênero Haemagogus  e Sabethes ?, mosquitos que transmitem a febre amarela. É possível uma vacinação de parte dos macacos em regiões florestais? Como ficará, após o surto, as populações de macacos nas florestas?

Deverá, obrigatoriamente, ser feita por parte do Estado ações e trabalhos parta reintrodução das espécies de primatas desaparecidas. Estes animais são de grande importância nas florestas, grandes dispersores de sementes, desempenham papel vital na saúde das florestas. Nossas terras devem ter palmeiras onde cantam o sabiá, e devem continuar a ter o canto dos bugios!

 

Sandro Muniz

Biólogo

28/01/2018

 

Para mais informações: Revista Fapesp

 

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