Parte do poema “A flor e a náusea” de Carlos Drummond de Andrade.

A natureza é muito mais forte do que imaginamos, mas as ações humanas são tão fortes e em tão grande quantidade que fica difícil a flor que nasceu na rua continuar seu brilho.

 

flor nasceu na rua

 





“…..Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia.
Mas é uma flor.
Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”

 

 

 

Sandro Muniz

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